sábado, 3 de outubro de 2015

Adamastor

das coisas baitas nunca bastam as suas aparições & belezas delas se exige repetição & repetições nunca bastam porque baitas essas coisas batem na gente tangenciam o tornozelo & se expandem galáxias afora afeitas a orbitarem em pluricéus que não se conformam nem se confirmam como matéria corpo mesmo sendo matéria & corpo de um adamastor moderno que doma as donas de casa enquanto elas suspiram pelo que não virá mesmo que devir mesmo que nem deva ir daí essa vontade louca de ficar ali parado no dever cumprido de um compasso longo & grande imenso & lindo de tão baita



ouça esse poema, clicando abaixo

https://soundcloud.com/samusque/adamastor

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

antevisão/preview/Vorchau



Ver o tempo passar
A passos bem largos, larguíssimos
Educa o meu olhar que te busca e te acha farol que você é
Em suas conquistas estão marcados sua vontade, meu corpo, nosso amor
Em novas vitórias também estarei ao lado, sob e sobre você
Passando por todas suas curvas e músculos e dentes
Titã das terras vermelhas
Que cavou as caves avinhônicas cheias de desejo e lavanda
Enquanto eu fechava meus olhos  para farejar o seu cheiro.
Eu parco homem e você todo Prometeu
Mas um dia nascerei ou rocha ou corvo ou fígado
Para te acompanhar pelas eternidades

Que seus olhos e correntes anunciam

quinta-feira, 9 de abril de 2015

mapa astral não guia ninguem no outerspace





devia estar louco quando aceitei me sentar ao seu lado & prestei atenção nesse sorriso pintado boquinha de mona lisa cheirinho gostoso de pele fresca a dar facilmente bandas & arigatôs aos pássaros que passam e gorjeiam como eu macho gorjearia se pássaro fosse voando no azul do seu céu.  criança beibe  bebê do nosso tempo precoce novilho carneiro pronto a ser sacrificado pelo seu corpo branco pela constelação de pontos dourados. galáxias que se estendem & cobrem a face que galanteio sardonicamente no máximo de minha falsa sisudez. galáxias & nebulosas . nebulosas & buracos negros. dimensões terceira & quarta à esquerda desse corpo. devia estar louco quando aceitei me sentar ao seu lado.



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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

dejà vu



juntei uma ponta com outra ponta. medi cuidadosamente. dei uma laçada. &  ei-la. toda pomposa nossa valiosa vida juntos. que nada. apenas alguns aqui & ali prontos para exibirem nossas conquistas aos nossos públicos teus & meus. não que eu tenha uma santa inocência a me acompanhar mas justamente por saber ler que entendo seus sinais esses aí evidentes sinais de desdém & tanto faz. sorvete ou rola. carne ou cu. impasse que se resolve sozinho depois. parece velha & mesma história que se desenrola sorrateira a me destemperar. apesar desses anos todos. & após tantos ais.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

verborragia

duas dúzias de doses de uisque barato depois a coragem & a força necessárias para dizer eu desisto ta bom desisto de resistir a você & ao seu jeitinho de menina pilantra a dedilhar meu corpo com seus dedos frios & longos que enfia em meu cu enquanto te beijo faceiro & feliz como se vivesse em outro mundo não nesse onde cresci & me fiz o que sou os muitos que sou mesmo quando sozinho sento-me na variedade dos meus eus na pluralidade dos teus meus na sonoridade do teu corpo quando tange o meu posso dizer com todas a letras que por você perco a linha & o carretel & tonto que sou teço loa à sua pessoa que ri de mim achando graça de mim fugindo de mim escondendo-se de mim sem dizer isso ou aquilo apenas repetindo a vacuidade do hum & do dois enquanto eu inocente te cubro de cuspe e palavras.




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https://soundcloud.com/samusque/verborragia

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

easy listen music

para você guardei cada palavra
mas engoli uma a uma mesmo que  elas enroscassem arranhassem fodessem minha goela
com gelo e vodka
num balcão de bar barato
com comida ruim
e gente perigosa

putas em alvoroço:
as ruas locupletam
completamente
paus e cus
nos seus circuitos mais óbvios
e sobram variedades deles nas veias desta cidade
em franca concorrência com seus afazeres


retorno rápido
para o finito e aquém
com o coração em pedaços

i’ll never fall in love again




ouça o poema em audio formato WAV

R.I.P



essa longa fila de homens mortos
insiste em crescer
em níveis
incontáveis pelos meus dedos.
é a vida diriam os vividos e também os filósofos.
enquanto no vão eu duvido
eis que tomba mais um.