sexta-feira, 25 de agosto de 2017

não é por falta de adeus


Não é por falta de adeus que eu te abandono definitivamente pela décima vez.
Deve ser o décimo terceiro bye que dou aos seus olhos e às suas gordurinhas localizadas que mal escondem porquê você prefere G a M.
Deve ser o décimo quarto décimo quinto tchau que dou ao seu desprezo que despreza o próprio desejo que esfrego nessa cara branca caucasiana de aspecto bem vil.

Perdi tempo em Veneza visitando a sua casa.
Ao centro da cidade raramente vou.
Você não pinta na Cogel-Osyslei há séculos.

Você ouve Raoul mas sufoca a vertigem quando abro meus braços e te ordeno venha e viva as delícias dos uhs e ahs e ohs que estão impregnados ai nesse dente encavalado nessas enureses noturnas nessas suas neuroses diurnas.


Em homenagem à tua cara de nada não meterei agora o dedo em seus medos
mas deixarei a lista dos palavrões que te definem
para dar um sentido
ao meu
sim


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Te vbiqve


Eu te encontro
Nos braços em que você me perde
E não são matches felizes e sossegados
São os que passam nas ruas e dizem olás e adeus com a tua naturalidade
Por isso esse cheiro
Essas marcas
Essas pintas
A tua ubiquidade me irrita
: Te vejo em toda parte
A tua ubiquidade me mata
: Te vejo em toda parte
A tua ubiquidade me frita
: Te vejo em toda parte


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Não Platão, não


duvido que você saiba a que veio
poucas palavras saem desta boca
mordida por dúzias de diferentes dentes
de gente boa e vagabunda que avança na comida e os sinais vermelhos
trastes que me substituem folgadamente nesses jogos nesses torneios
com menos dramas mas outros receios
antes dante e toda comédia do que o presente
pego dois livros teus só para rasgá-los ao meio
eros não pousa no que é feio





sexta-feira, 26 de maio de 2017

almost



esses pequenos nadas que você me dá despejo ali na esquina onde os meninos da molly house se divertem entre minhas dores e as suas próprias e assim fazem dinheiro e assim desisto de respeitar você e assim sigo e deixo-me passar pelos rios que me escorrem desviando das ilhas que irrompem em tentativas bem sucedidas de me rasgar. rogo que na próxima curva haja um mar e a liberdade. e alguma história a ser contada. para ninguém. obrigado.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

quem te viu, quem te vê

Quem te vê talvez veja como os dias podem ser bons e como pudendas bundas podem ser gostosas quando vistas de longe momento em que as lambidas são meros sonhos mas que podem virar a noite ali naquela esquina em que você se esconde.

Mas quem te viu de perto aprendeu a gostar desse seu mau gosto meio saborzinho de comida ruim bem baratinha que se encontra nos vales, parques e praças dessa cidade. Quem te viu de perto sabe exatamente o nome de seus desvios onde muitos se perderam nas curvas nessas que dancei ou noutras que levaram os incautos à deriva onde não há nem ilhas nem mar nem nada buraco negro onde se mete dois dedos e mais dois, depois goza e ali se deixa toda esperança escorrer pelo seu ralo. Quem te viu de perto vê os dias avançando e se arrastando por entre suas carnes moles, seus dentes tortos, suas pernas toscas onde os tios mijam e trocam impressões sobre o poste colando cartazes ao deixarem as mordidas nessas costas em que os presos marcaram os dias de foda e de espera. Quem te viu de perto, não vê mais nada: é só cegueira e destruição.





segunda-feira, 6 de março de 2017

malato

O dia ainda não vingou

são necessários muitos minutos de espera para ver se o dia nasce bem com sol bonito afastando o perigo das nuvens.

Enquanto isso feche seu livro, abra seu olho, tome uns tragos, respire fundo

e continue distribuindo sua doçura para todos à sua esquerda e à sua direita inclusive para a japonesa que te acena e sorri.

Eu fico em casa

e de 3 em 3 horas tomo um chá de dificuldades rezo retro vade traço um laço de realidade com o meu corpo pelado medito um pouco medindo as palavras.

Cartesiano que sou uso réguas e compassos patuás e teorias

para ver se passa logo essa dor no olho, essa sensibilidade dos dentes, esse langor de puta, esse amargor de enjeitado.


quarta-feira, 1 de março de 2017

5 takes balzaqueanos

1. Você não é a bunda do Justin Trudeau então nem notei quando você entrou com olhos de tigre mirando este e aquele e me deixando quieto nesse canto em que me encolho. Tua presença não fez jus ao teu nome tua carne mole sim carne da qual me alimentei e enrijeci e hoje jejuo na esperança de morde-la amanhã para cagar só depois. Carne branca e marcada por tantos dentes que foi difícil encontrar lugar para encostar e cravar. 2. Você não tem os pés da Natalie Portmann, portanto porte-se como mortal que é, pé de pavão, ema, avestruz, gavião e deixe de sapatear sobre os sonhos que tenho e dos quais não faço a distinção se são bons ou pesadelos. Não dance sobre eles porque deles esqueço e invento jeitos de preencher as lacunas, verdadeiras arapucas armadas para te arranhar e prender. 3. Você é o nariz perdido de Nicolau, que caiu por aí, numa noite dessas em que os absurdos insistem em acontecer depois de copos de vodka e voltas de carro. Acharam você ali perto da ponte e depositaram na porta deste edifício que penso ser uma delegacia de tão feia e suja, mas que tem o ar que você merece. 4. Você não tem os peitos de Amber Heard para enfrentar a mim e a vida, achando que somos engraçados, mas trágicos porque compreendemos a morte e o ciúme de Adorno. Beni era uma piranha, sim todos sabem e você nada tão bem que faz inveja aos peixes. 5. Merda. Tenho dó dos peixes. Dizem que eles não têm memória e que veem sempre o mesmo como novo. Talvez eu seja um peixe. Os aquários são tão deprimentes.