sexta-feira, 26 de maio de 2017

almost



esses pequenos nadas que você me dá despejo ali na esquina onde os meninos da molly house se divertem entre minhas dores e as suas próprias e assim fazem dinheiro e assim desisto de respeitar você e assim sigo e deixo-me passar pelos rios que me escorrem desviando das ilhas que irrompem em tentativas bem sucedidas de me rasgar. rogo que na próxima curva haja um mar e a liberdade. e alguma história a ser contada. para ninguém. obrigado.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

quem te viu, quem te vê

Quem te vê talvez veja como os dias podem ser bons e como pudendas bundas podem ser gostosas quando vistas de longe momento em que as lambidas são meros sonhos mas que podem virar a noite ali naquela esquina em que você se esconde.

Mas quem te viu de perto aprendeu a gostar desse seu mau gosto meio saborzinho de comida ruim bem baratinha que se encontra nos vales, parques e praças dessa cidade. Quem te viu de perto sabe exatamente o nome de seus desvios onde muitos se perderam nas curvas nessas que dancei ou noutras que levaram os incautos à deriva onde não há nem ilhas nem mar nem nada buraco negro onde se mete dois dedos e mais dois, depois goza e ali se deixa toda esperança escorrer pelo seu ralo. Quem te viu de perto vê os dias avançando e se arrastando por entre suas carnes moles, seus dentes tortos, suas pernas toscas onde os tios mijam e trocam impressões sobre o poste colando cartazes ao deixarem as mordidas nessas costas em que os presos marcaram os dias de foda e de espera. Quem te viu de perto, não vê mais nada: é só cegueira e destruição.





segunda-feira, 6 de março de 2017

malato

O dia ainda não vingou

são necessários muitos minutos de espera para ver se o dia nasce bem com sol bonito afastando o perigo das nuvens.

Enquanto isso feche seu livro, abra seu olho, tome uns tragos, respire fundo

e continue distribuindo sua doçura para todos à sua esquerda e à sua direita inclusive para a japonesa que te acena e sorri.

Eu fico em casa

e de 3 em 3 horas tomo um chá de dificuldades rezo retro vade traço um laço de realidade com o meu corpo pelado medito um pouco medindo as palavras.

Cartesiano que sou uso réguas e compassos patuás e teorias

para ver se passa logo essa dor no olho, essa sensibilidade dos dentes, esse langor de puta, esse amargor de enjeitado.


quarta-feira, 1 de março de 2017

5 takes balzaqueanos

1. Você não é a bunda do Justin Trudeau então nem notei quando você entrou com olhos de tigre mirando este e aquele e me deixando quieto nesse canto em que me encolho. Tua presença não fez jus ao teu nome tua carne mole sim carne da qual me alimentei e enrijeci e hoje jejuo na esperança de morde-la amanhã para cagar só depois. Carne branca e marcada por tantos dentes que foi difícil encontrar lugar para encostar e cravar. 2. Você não tem os pés da Natalie Portmann, portanto porte-se como mortal que é, pé de pavão, ema, avestruz, gavião e deixe de sapatear sobre os sonhos que tenho e dos quais não faço a distinção se são bons ou pesadelos. Não dance sobre eles porque deles esqueço e invento jeitos de preencher as lacunas, verdadeiras arapucas armadas para te arranhar e prender. 3. Você é o nariz perdido de Nicolau, que caiu por aí, numa noite dessas em que os absurdos insistem em acontecer depois de copos de vodka e voltas de carro. Acharam você ali perto da ponte e depositaram na porta deste edifício que penso ser uma delegacia de tão feia e suja, mas que tem o ar que você merece. 4. Você não tem os peitos de Amber Heard para enfrentar a mim e a vida, achando que somos engraçados, mas trágicos porque compreendemos a morte e o ciúme de Adorno. Beni era uma piranha, sim todos sabem e você nada tão bem que faz inveja aos peixes. 5. Merda. Tenho dó dos peixes. Dizem que eles não têm memória e que veem sempre o mesmo como novo. Talvez eu seja um peixe. Os aquários são tão deprimentes.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

stranger

para w.w.

Partiu de mim a ideia de virar o disco que já não faz sentido nessa era digital em que discos não tem lado mas mantem as pistas. Ainda que a gente não as veja, lá estão elas. Igualmente a ficha caiu onde não há mais fichas e sim íris que não marca embora abra vários programas, portas, corações e intermitências. Mas nada que abra meus olhos. Que se arregalou e encheu-se de esperança quando você disse olá & again & again como dizem os forasteiros quando querem ser bem recebidos apesar da pronúncia estranha e da respiração difícil. Seriam necessários talvez outras passagens para que essa paragem funcione como aconchego e abrigo. Por enquanto tem apenas essas cores. Pode pintar-se como quiser. Meu coração pulsa ali na esquina, onde todos os daddies chacoalham o pau.




sexta-feira, 25 de novembro de 2016

barcidade

entro sozinho nesse bar. você que não me liberta e ao contrário me ata nesse nó atroz em que me enrosco dedilhando notas falsas de dólares e verdadeiras do concerto para violino de mozart olha para o mundo e faz que não me vê. minha invisibilidade nunca foi a minha nudez que você teve algumas vezes, mas como a fama engana, não foram tão boas, talvez meia boca, talvez um terço mesmo que de contas bem coloridas, cafonas e medrosas, houve alguma vez que tivesse sido alguma coisa mesmo que imediatamente já fosse sem ser a mera matemática? a tua mudez voz da maldade está gravada na minha carne, tua ausência fantasma está filmada pelos devices da minha vidência, minha pele e perna, meu pau e pé estão por aí a dar vexames no vazio. e eu que nem era existencialista estou condenado à essa liberdade que não tem nome, não tem agora, não tem hoje e nem terá amanhã. matei outra, sem gelo. saí melhor do que entrei.

a cidade silencia-se na madrugada assim decifro o código dos cães.

mijei no poste.

naquele quarto acendeu uma luz.

um maluco olha pra mim e corre.

o sinal inutilmente pisca. verde. amarelo. vermelho. e somente eu passo e piso em qualquer cor.

queria fumar um cigarro, mas como não fumo, faço gracinhas no meio fio.

a polícia passou por aqui. a polícia, duas ambulâncias, o resgate, os bombeiros. nenhum incendiário.


merda. moro longe pra caralho.



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

soul redondo

Você me prendeu no seu corpo. Não consegui correr a tempo. Até tentei, mas você rapidamente me alcançou, derrubou e me prendeu na imensidão entre seus braços e pernas tatuados em dias de noites intensas e ma non troppo. Você me prendeu no seu corpo agora meu claustro e eu louco rabiscando as paredes desse coração de pedra perdi a conta dos dias. Coisas que aumentam as penas aos incautos. Tenho tentado desde então fugir. Já tentei sair pelos olhos, mas você nao chora. O nariz mesmo escorrendo trancou e tive que voltar em meias voltas aspiradas e contidas. Pela boca nenhum impropério. Esses silêncios todos impossibilitaram minha saída. Ouvidos... ah seus ouvidos moucos quase cegos de tão surdos sempre foram inviáveis. Minha próxima tentativa será pelo teu cu. Quem sabe, disfarçado passo por ele ainda hoje e você prá variar nem me perceba?