segunda-feira, 9 de maio de 2011

vite



trop tarde

pra mudar

recolher as tetinhas no varal

prender de novo o que já saiu

feito gás

é impossível

melhor que sossegar

por as barbas de molho

& as babas no molho

é sair

feito besta

pela vida

que vira logo alí

na esquina

desinventando


amanheci duro e definitivo
parei de contar estrelas as 4 da manhã
guardei os lençois & os lenços não usados
procurei inutilmente o pé esquerdo de meu calçado
ensaiei 3 bocas e 4 caras caso sejam necessários
adormeci meu pinto
calei meu cu
e desisti
parei de inventar sua presença
preferi lidar com esse rasgo na alma
esse buraco no dente
a ficar sob seus pés
com essas frieiras entre os dedos
pisando meus desejos.

sábado, 19 de março de 2011

outra canção de adeus e bye


esgotei meu repertório de gritos
não há dor ou magia que faça
mudar as circunstâncias ou os fatos
minha cara
meu cu
e eu
não tivemos nenhuma importância
nenhum valor
que valesse seu tempo & história.
então em filinha indiana
batem em retirada
meus olhos
minha disposição poética
os joguinhos de sedução baratos
os montinhos de desejos & insatisfação.
todos devidamente recolhidos
ja sem trilha sonora
partem
sem quebrar louças
sem dizer adeus sem deixar saudades.



sexta-feira, 18 de março de 2011

não sou novela que passa as sete


ando sentimental
tolo & sentimental babando olhares por aí
o dia passa pesado. biscatinhas jogam xana & meu olhar parado
tenta passar despercebido.
teço um ar blasé bem ensaiado shakespeareano que sou
que mal esconde e abafa mi fuego de quererte y mi miedo de perderte
menos trágico & mais abolerado
que pinta
e colore meus mundos
ainda a descobrir.
mas melhor assim
em p&b e sem perspectiva
como um blues do caralho
que me rasga a cara
me corrói a alma
e me aperta os pulmões.
mesmo fraco expondo pleura
ainda assim seria capaz de dizer
adios amor
ya me voy
e não me siga pois não sou novelo
nem novela.
(embora enrolado e sem nenhuma barriga)

quinta-feira, 17 de março de 2011

ressentimento à moda de rosalía


os pássaros
que agora são só seus
depene-os
destrinche-os
frite-os

que sequem
que morram

enviarei flores
em nosso nome

encomendarei missas
rezarei rosários
puxarei encomendas
entoarei benditas
ao nosso nome

jazem os pássaros
ali onde meu pau repousa





terça-feira, 15 de março de 2011

discriminatio RIP



nostalgia dos tempos que não te conhecia

quando o universo se abria em grandes possibilidades
existiam os indios
existiam os caciques
existiam os marujos
e você não existia
quando vc entrou em minha vida
tudo desapareceu.
até que chegou a sua vez.

as coisas agora aos poucos voltam
sem o mesmo ânimo dantes
sem os mesmos mínimos dentes
mas com a vergonha latejando
no lugar do desejo.


por que preferiu matar o que nos mantinha
acabando com mesa cadeira esquadro carteira?

domingo, 13 de março de 2011

tien zehn ten haikku


1.

o que um luarzinho pode fazer?

talvez nem possa ajudar

esse luarzinho de merda


2.

tres dias tres noites

ressecado de corpo e alma

cagando nacos do existir


3.

de perto seu signo combina com o meu

um é fleumático outro é sanguíneo

se os astros valessem seríamos constelação


4.

dores por todos os lados

de dentro

fossem musculares tomava

medicamentos


5.

dizer prum bicho triste

que a tristeza um dia acaba

adianta?


6.

nossos encontros foram tão bons

que fico mau

quando lembro deles*


7.

olhar as coisas

com seus olhos entre verde e castanho

colore o mundo


8.

não ser bem-vindo em sua casa

torna qualquer um

malvindo pra vida


9.

se outros corpos ajudassem

centenas jazeriam

aqui comigo


10.

apaguei em mim a sua estrela

brilhava demais

a danada





*fátima guedes tem um verso: "& dei pra relembrar as coisas más, prá esquecer" que também pode ser lido como "& dei pra relembrar as coisas, mas pra esquecer"