quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

easy listening poem


no meu sim
centenas de nuvenzinhas formaram um poema fofo
pretensamente imenso
sem vírgulas a pausar esse contínuo
sem hiatos a separar ou fossos a superar
um riocorrente de arrepios e sensações estranhas
estranhamente sem um palavrão
a palavra maior recolho por ora
para deixar brotar do silêncio
o sorriso que me agarra
com força
nessa hora
tensa

sábado, 17 de dezembro de 2011

aniversário


hoje é seu aniversário
sorrisos fáceis
velinhas acesas
doces a dar com pau
& seu descompromisso com a humanidade
um beijo um abraço um aperto de mão
salada mista apenas aos que merecem
não sei porquê as crianças crescem

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

fünf Konzepte

1.
a chuva virá para lavar almas
y cuerpos
por supuesto
mas também para inundar
o de dentro
fosse luz iluminava
o conceito
que abarca
mas não explica
porquê meu pau fica duro
quando vejo você

2.
trovinhas de amor
caderninhos de rimas
boquinhas perfeitas para chupar uma rola
enquanto nos confins nos grotões
as velhas rezam por nós

3.
passam  o tempo & a paciência
a chuva também parece passar
ao redor
do cerne
da questão
não no cerne
âmago da questão
que me olha como o cão de pasteur ou o próprio diógenes

noto o cuspe na ponta da lingua

4.
há filosofia demais no nosso meio
uma física estranha
uma química mística
um paradigma e meio
além de duas semióticas

5.
eis que chega
formosa & aguardada
chuva benfazeja
que seja essa delícia
como o frescor da tua carne
que trago sangrando
pendurada nos meus dentes

terça-feira, 29 de novembro de 2011

4 haikais (ao filho de shaul) + um

1.
fosse outro tempo
seria outro
não seria o nosso

2
você deixou david
& a mim
a ver navios

3.
a extensão de seu corpo
de tão grande
me cabe todo

4.
não há cu mais doce
que o teu
quando salga o meu dia


posfácio

você roubou minha alma
quando beijou os meus olhos
: perdido
vago pela vastidão de seu tamanho

clown

para que fazer-se de morto se vivo vives
em outros braços
em novas barcas & casquinhas de siri?
sabado perdido no suor de minha testa
no sangue de meus olhos
no fel de minha ira
olhar ali & além
recolher os panos secar os planos
sorrir com a cara de tacho
que o mundo me deu:

um palhaço não deve chorar

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

alone again

não consigo acompanhar transformações abruptas
embora doido e bipolar
cobro-me a ira dos insanos
um orlando furioso
a quebrar ossos & amassar focinhos
não o covarde
que bate em retirada
sem nem espernear

vc deve ter rido muito
ao me ver sair aos pedaços

domingo, 27 de novembro de 2011

deserto

dizer palavras algumas duras outras inesperadas dizer ditos tecer desditos e babas q empoçam nos ombros das moças de aparente fino trato um aparato de destruição e horror que abate sobre os judeus cada vez q pensam que podem ser mais alguem q podem distribuir sorrisos assim como a alegre freira francesa sempre esperando a hora de não ter que sorrir por isso pum está aí a verdade crua judeu não foi desta vez judeu  seriam necessários outros 5772 anos outros 2106780 dias judeu para aprender que não há diferença entre o q foi e o q ja era mas bem q poderia ter permanecido já o momento aquele momento momento dos momentos o nosso mas o mundo não liga para esse judeu de merda vc não liga & desliga & engana
há desertos mais desérticos q o neguev: seu coração por exemplo.