segunda-feira, 13 de junho de 2011

férias frustradas


nem o rio amstel
tampouco dam & outras praças
rembrant
jonas daniel meijer
meester visser
nenhum café louco & benfazejo
sequer espiadela no pathé só pra ver onde se dirige o desejo
...
nem o rio scheld
e sua marmorra onde meu coração adormece
nada de grote markt & seu brabo
nada de descer linda
pela nationalestraat
& dar pinta na meier
nenhuma carinha cult
nenhuma carinha de anjo
putto & barroco
nenhum artista esculpindo sua pedra
de janela aberta ouvindo jacobus clemens non papa.
...
& tantas outras planejadas aventuras
por frankfurt
& talvez milão
mas não estava no mapa
ficar no meu canto sem você

domingo, 12 de junho de 2011

há sentidos que não cessam
significados então
todos dicionários atacando
é covardia
mais vale arder em febre
do que buscar entender
essa categoria
de gente
que fica feliz
racha de rir
mal cabe em si
quando
você quebra o nariz

valentine's day

naufrágio na baía
os casais comemoram
as crianças correm
o japonês frita peixe
desarrumo doidamente o armário
desarmo a ternura
tusso firme para não chorar
& cuspo mágoas
rosário delas
mar de mágoas

sexta-feira, 10 de junho de 2011

(de)composição


não são apenas meus dedos que são podres
eu que sou todo deletério
cheirando os odores dos malditos
exalado o hálito dos danados
é incomensurável o mal que trago em mim
é incompreensivel o estrago de que sou capaz
é inconcebível a a ruína que semeio
jogue água benta se benza faça o nome do pai
e agradeça deus por ter partido
inclusive o meu coração




domingo, 5 de junho de 2011

antilamento farrapo



não sou das plagas do rio grande

sou das pragas dos canaviais & da terra roxa

caipira nos erres e esses

não solto nenhum mas bah

engulo dissonâncias

não meço distâncias

pulo

corro

entre as troxas

entre os trouxas

com meus sapatos sujos

com meu olhar sujo

e minha alma vazia



não sou das plagas do rio grande

sou caipira

então tenho um pouco quase nada

a te oferecer

segunda-feira, 9 de maio de 2011

vite



trop tarde

pra mudar

recolher as tetinhas no varal

prender de novo o que já saiu

feito gás

é impossível

melhor que sossegar

por as barbas de molho

& as babas no molho

é sair

feito besta

pela vida

que vira logo alí

na esquina

desinventando


amanheci duro e definitivo
parei de contar estrelas as 4 da manhã
guardei os lençois & os lenços não usados
procurei inutilmente o pé esquerdo de meu calçado
ensaiei 3 bocas e 4 caras caso sejam necessários
adormeci meu pinto
calei meu cu
e desisti
parei de inventar sua presença
preferi lidar com esse rasgo na alma
esse buraco no dente
a ficar sob seus pés
com essas frieiras entre os dedos
pisando meus desejos.