sábado, 2 de fevereiro de 2013

joão & o pé de feijão


joão subiu no pé de feijão & viu o gigante. tudo nele era grande, era imensidão,  vastidão sem fim nem início. como era lindo & forte. doce & gigantesco aquele gigante que olhou para o joão & estendeu-lhe a mão cheia de estrelas. joão, o bobo contemplou as galáxias. lócus onde nem norte nem sul existem há que se dizer. mas depois fechou o corpo. trancou a alma & desceu correndo pelo pé de feijão até cair de cara na terra vermelha que suja os pés dos joões bobos ou não. caiu, olhou para cima & viu dois pés enormes imensos 46 descendo pelo faseolo. não se fez de rogado. pegou serra, bigorna, chave inglesa, machado & pôs abaixo o que o elevava.

você vê aquelas montanhas ali filhote, onde as águas correm com força descomunal? serras cheias de árvores que tocam o céu de tão grande? é o gigante morto & deitado & se você encontrar esse joão, o do pé de feijão fuja, corra, se esconda, reze um terço, se apegue a um santo pois ele é pequeno, o desgraçado

 mas é malvado.

sábado, 8 de dezembro de 2012

siderações




sei muito bem com quanto paus se faz uma foda
além do meu consigo contar até não mais haver nem números
tamanha embarcação furada
(que adiantou o cálculo  nesse rim de merda que não sabe se soma ou desaparece
que adiantou a dízima que periodicamente lembrava as dobras sujas da tua cueca
que adiantou nos adiantarmos além da nossa nossa não da tua pálida  fuça?)
depois de ser mais dinâmica que a velha dupla depois de nadar  braçadas
léguas em muitos nós
eu morro de bruços ( viva!!! ) & sozinho
 meu cú jamais foi voltado pra lua

domingo, 24 de junho de 2012

unexpected gift


aquele bolero
dolorido
ainda faz sentido?
melhor sentar & esperar sorrir outro dia
assim que passar o inverno
o ano a década o século outro milênio
ele chega
com novidades & alvíssaras viscerais
vazias de nada grávidas de vácuo
como convém
aos céticos & aos dementes
merecidamente

segunda-feira, 18 de junho de 2012

un altro inverno


come era detto è tornato un altro inverno
e todos os tropeços estão ali na esquina
tranquilamente esperando os pássaros
que não voam baixo nessa estação
nenhuma outra aventura se aventura a descortinar-se
são tantos e mesmos os prantos de verônica
que sempre de novo repetem-se os velhos revezes
varíola varicela varicocele verrugas & você

segunda-feira, 7 de maio de 2012

conjunto dos números inteiros pares

os tolos
& os matemáticos agem assim:
quando me encontro nos cantos de meus ossos
estendo tapestes de risos & surpresas
para vc passar por cima
como passa um bispo qualquer no corpus christi
perdido entre o fog do turíbulo
& a vaidade do báculo
isso mesmo: sapateia nego
nesse coração-tapete-nave-frege-corja-corda-chatice & rojão
subconjunto qualquer que insiste
na tolice presente no pertence/não-pertence

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ira Zorn boosheid anger

meu traseiro não é bom suficiente para você
vociferou ela tão sentida tão magoada
bela e abandonada
porque de nada adiantara
fora tudo sem efeito
ter lido ruth berlau
saber o significado de Überraum
& não conseguir dar o cu direito

cinco dias sem você


Cinco dias sem você. Nunca ficamos tantos dias separados desde que nos aproximamos.. Colocar a sua ausência em palavras é uma coisa difícil. Mais fácil mostrar a minha dor bem doída a cada fração de minuto.

Dia um: voltei pra casa. Torci pra um casal de amigos aparecer. Preguiça grande de cozinhar e algumas decisões inúteis. Fiquei ouvindo músicas tristes, assisti tv, deitei, dormi. As três e pouco  ou quase três toca interfone. O casal de amigos. Odiei. Devia estar sonhando com você, mas noblesse oblige, os recebi. Rimos  muito. Falamos muito. Fumamos muito. Eles bêbados e eu apaixonado fomos dormir umas cinco da manhã.

Dia dois: saí de casa só pra ir ao Elizeu buscar pão e mortadela pras visitas. Um sábado silencioso. Arrastado. E os dois na minha casa. Acho q eu queria chorar sei lá. E os dois na minha casa. Fiz almoço, fiz jantar e os dois na minha casa. Dormi a tarde. Assistimos a meu filme favorito. Rimos. Fumamos E meia noite foram embora. A experiência de estar sozinho e você em outros braços foi estranha e mexeu muito comigo. Sempre julguei o ciúme vaidade e ardi em ódio, ira, insensatez, autopiedade. Vi-me corroído pelo ciúme.  Em  dez ou onze anos jamais tive ciúmes e agora me vi Medéia. Nem a madrugada teve dó de mim.

Dia três: acordei cedo batendo cabeça. Toda hora me vinha: autocontrole, mantenha o autocontrole. Pensei em pegar outros braços mas a ideia me deu preguiça. Depois raiva. Depois talvez nojo. A pureza  nunca esteve em meu horizonte mas eu me trairia se outros braços tivessem abraçado a minha causa. Trair a mim mesmo é uma ideia que não concebo. Tentei as bobeiras  da tv. Ouvi o universo cantar I get along without you very well. Senti sua presença , sentei na cadeira e fiz o plano de curso que devia

Dia quatro: um dia vazio, sem nenhum significado. Desprezível dia. Busquei pela casa restos de sua presença. Tive medo de te perder e fiz  três poesias. Todas elas ridículas. Como convém nesses momentos em que a água, mais que na bunda, toca o pescoço. Tentei organizar a casa, mas eu estou desorganizado. Não consegui por um copo no armário. Não consegui trocar a cueca. A roupa de cama. Os tapetes do banheiro. Seis por meia dúzia.

Dia cinco: o pior desses dias terríveis. Yom kipur de caipira de quipá. Fino só até na esquina. Perdido nos sertões de seu imenso coração. Não teve um dia em que não pensei  como pode você ficar tão longe de mim e não achar uma fresta, um biombo, um buraco, um banheiro pra dizer olá e encher minha alma com a sua paz. Não consegui preencher o vazio que deixou.  Conto as pílulas que tomei pra não tomar nenhuma atitude. Combinado não sai caro. Pego minha ternura passo o terno e passo o dia. Assim: na mais pura ansiedade. Daquelas que doem nos músculos e provocam flatulências. Quem sabe em um sobressalto você me acorda e me traz de novo ao planetinha azul.

Dia seis: que não haja sexto dia. Nem sétimo a desesperar. Cinco foram suficientes para  percorrer os dentros e os foras de minha existência. Que não têm espaço na sua geografia. Enquanto espero não deixo entrar a luz do dia. Só faço samba.