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segunda-feira, 20 de junho de 2016

parole


As palavras vomitadas não fazem tão mal como as engolidas
Dá pra ver o que elas dizem
Dá para sentir seu cheiro e sabor
Elas ali em meio a alimentos mal mastigados, nadando em fluidos bem corrosivos, piscinas quentes de ácidos e ilhas a quebrar as ligações entre espírito e matéria
Mas as engolidas...
Fodem a garganta e a alma da gente
Descem arranhando o esôfago, embrulham o estômago e nos dá nó nos intestinos
E quando finalmente a gente caga
Sente o tamanho do estrago
Na alma.


domingo, 15 de maio de 2016

no flower power

Força eu fiz, mas já não faço mais. 



Caguei na tua alma. Estava pleno demais para te poupar, eu que sou pai da matéria, mãe do assunto, avô da discussão, mas nada teu.
Mijei no teu espírito. Estava incontinente demais para evitar virar as cartas do jogo ou aquela esquina, eu pai das putas, mãe das manhas, avó das aves, mas nada teu.
Peidei na tua existência. Estava enfatuado demais para te perfumar, eu pai das cores, mãe das dores, avô da incoerência, mas nada nada teu.


Incrível como a distância atua encurtando o que era vastidão e desejo transformando em troços o que a gente fez, bebeu, comeu e arquitetou. Bela e justa construção diria um crente. Eu que desconfio, desconverso. Sem nenhuma paz ou emoção. Sentado nesse vaso onde me esvaio em tua homenagem.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

de filosofia e de infernos astrais



falando de filosofia e de infernos astrais não entendi porque você enfiou deleuze no meu cu enquanto eu me apaixonava. fiquei matutando 3 minutos e deixei ele lá quietinho acomodado e olhei pra você com tanta raiva que você arrepiou. disse raiva. por isso compreendi porque você atirou em minha direção seus desejos de ferir as bestas e as feras que te cheiram como eu cheirei seus ocos sovacos ovas e sabonetes .  não desviei de propósito vestidinho de alvo e mira. pomba e prato. por amor e pronto. parei  para ver melhor pensar um pouco pesar mais os prós. deu 5 quilos de linda e pura e vã esperança. parei de novo. espera. toma teu deleuze. tá um pouco sujo.  sorry.