domingo, 20 de fevereiro de 2011

fidélio


pombas-gira gorjeiam sobre o varal mal disposto


pombas-peru de antuerpia limpam o bico no mesmo varal


periquitos & rouxinóis recolhem as sujeiras deixadas pelas araras


que aleardearam alvíssaras.


indiozinho pataxó dá as mãos para um terena


que embrulhadinhas em folhas de bananeira


são assadas ao ponto


porque índio quer apito


& o pau comendo.


em outra praia pascal medita & dorme


vomita uma babinha metafísica


boa para fazer papa de calopsita e vestidinho de bispo.


o passaredo todo alardeia a ideia mais despropositada


fazer propósito e não ser nem andorinha


muito menos galinha


dangola

índia ou


carijó.


ciscar por ai:


never more


nem sobre o busto de palas athena


nem sob as botas do gato de napoleão


nem atras das cortinas do municipal


tampouco na sua frente na sua cara.

pombinhas da paz fazem cocô nas estátuas congeladas do tempo


cagam florezinhas da paz


inutilmente


as pombinhas da paz


se cagassem tréguas soltaria rojões em seu e em meu nome


moraríamos juntos


e estrelariamos comercial de margarina maionese ou mingau de aveia


mostrando pra todo mundo os dentes mais brancos


e as cores mais vistosas


que o amor pode proporcionar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

sinfonia bem acabada

andar léguas
mantendo a cara boa
bem disposta
é exercício mas não para mortais
bater portas
& cabeças
e ainda dar sorrisinhos no canto da boca
isso sim é coisa de humano
com nariz pinto cu
que caga no início do dia
preparando a cagada do fim da noite

os malditos pássaros piam a sinfonia que insite em acabar

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

aula de natação


dificuldades imediatas

mascar ciúmes e vomitar sorrisos.

pedacinhos de mau humor entre os dentes

fumaça em excesso nas narinas

nudez constrangida pelo pau em riste

maldades abundantes na cabeça e nos olhos.

fazer escolhas dá em água

farta para afogamentos

ou desesperos.
:nem sempre a gente sabe nadar



sábado, 29 de janeiro de 2011

festim diabólico


o dia amanheceu nublado

nevoas densas de cigarros ainda pairam pela casa

joão gilberto desafina no repeat

doses não bebidas dão cheiro e cor ao ar

pessoas desinteressantes se interessam por mim

eu passo

pássaros também não muito lá interessantes

ocupam toda sua atenção

eu passo

a mão pela cabeça

com a estranha sensação

que tomei no cú

e três vezes

domingo, 23 de janeiro de 2011

de bye em bye


índices de produção em queda

catanças a esmo dos sentidos & dos significados

calopsitas cagando pelo quarto

décima despedida

um estranho sorri fechando os olhos

a feira estava feia & cheia de orientais

descomi um sukiyaki na banca de pastel

& comi três

dei cuenta

do alto de minha macheza contemplada em quase meio século


vc deixa pistas por onde passa

& planos também




sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

aventura rural




pela estrada afora de terra vermelha batida e rasgada

medinhos infantis sobre duas rodas

desejos de adulto com pernas bem apertadas

cheiro seu gostoso esfregado na cara pelo vento

um salto

dois sobressaltos

& o coração já aos pulos & entregue na milúltima curva
enquanto a cachoeira se taca rochas abaixo

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

desbodas


dez anos
não são dez dias
nem se contam em dez dedos
mas contam nossa história.
por aí
nos bares os bêbados choram
ali e aqui fogos estouram
uns poucos lamentam.
fomos felizes
tivemos muitos filhos
faríamos mais se mais tempo tivessemos
não tivemos.
por isso os vasos
as louças
os talheres
os lençois
travesseiros
perfumes
copos
gravatas
chinelos
viagens
o quarto na rua plenska
& as correrias pela radlicka