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quarta-feira, 9 de março de 2011

sao-ass-ldn em 5 numerais e um epílogo


1.

acho melhor nem tentar

traçar a hipérbole

que sustenta

meu arco




2.
não basta pensar com régua

em meus domínios pensa-se com a cabeça

e com as duas




3.

não esperava q encontrasse nas catracas do metrô

quem eu corri por léguas

e confesso que ali morri um pouco

ou talvez dois terços

de ciumes e de desejos

: quem é mais macho?


4.

nenhum amigo me aguarda nessa cidade

olhos vermelhos de terra vermelha batida

ruas e corações de pedra

gente feia gente velha

e as ruas

todas de chão onde meus pedaços jazem


5.

era para ser a quinta etapa.

eixo sp-ass

tronco ass-ldn

e ao final meus abraços.

qual nada: nem telefone, sms, e-mail, mensagem instantanea

sua ausência chegou imperiosa

e me deu um chega pra lá tão forte

que até agora procuro

solo.


epílogo

de nada adiantaram palavras e gestos

mal e mal consigo ler documentos escritos

estava tudo errado

desde o o alfabeto

o que restou

é esse ruído em meu peito

é esse homem assim sem jeito

que desisitu de apostar

nessas loterias


sábado, 5 de março de 2011

ldn-ass-sao em 5 numerais




1.


olhinhos mijados de paul mitchell


sete dias e sete noites de descanso em tel aviv


a vida voa e mantem xícaras de açúcar e alegria


em suspensão


nenhuma vadiagem programada


nada que avance mais do que posso ir


outra e outra miragem


para matar a saudade para frear a vontade


de ter você ao alcance da mão




2.


você tem espuma nos olhos


que amortece e tece outras mortes


quando você desaparece


nem o voo da air france


nem o sorriso do lagarto


nem a afinação em si me protegem


quando você desaparece


o céu despenca em pedaços quase inteiros de nuvens e gelo


sobre minha cabeça


e são pedro


de propósito faz xixi




3.


estava de pau duro quando limpei seus olhos


todos seus olhos


e não sosseguei enquanto não amoleceu




4.


quando voltar


nada de clamar por inocência


poderia bem ter ficado


rodeando a mim


mas não


preferiu ir ao sertão e depois ao planalto


levando os apelos de meu coração


como escalpo.




5.


cinco vezes chamei seu nome


cinquenta outras chamadas de telefone


quinhentos e tantos mil pensamentos


a milhão




domingo, 20 de fevereiro de 2011

fidélio


pombas-gira gorjeiam sobre o varal mal disposto


pombas-peru de antuerpia limpam o bico no mesmo varal


periquitos & rouxinóis recolhem as sujeiras deixadas pelas araras


que aleardearam alvíssaras.


indiozinho pataxó dá as mãos para um terena


que embrulhadinhas em folhas de bananeira


são assadas ao ponto


porque índio quer apito


& o pau comendo.


em outra praia pascal medita & dorme


vomita uma babinha metafísica


boa para fazer papa de calopsita e vestidinho de bispo.


o passaredo todo alardeia a ideia mais despropositada


fazer propósito e não ser nem andorinha


muito menos galinha


dangola

índia ou


carijó.


ciscar por ai:


never more


nem sobre o busto de palas athena


nem sob as botas do gato de napoleão


nem atras das cortinas do municipal


tampouco na sua frente na sua cara.

pombinhas da paz fazem cocô nas estátuas congeladas do tempo


cagam florezinhas da paz


inutilmente


as pombinhas da paz


se cagassem tréguas soltaria rojões em seu e em meu nome


moraríamos juntos


e estrelariamos comercial de margarina maionese ou mingau de aveia


mostrando pra todo mundo os dentes mais brancos


e as cores mais vistosas


que o amor pode proporcionar.

domingo, 28 de novembro de 2010

estilhaços


pernas em bangladesh

órbitas oculares vazam seus liquores ladeira abaixo em olinda

vendedores bêbados gritam e vendem dentes arrancados ali mesmo

coelhinhos fofos fuçam nos pedaços de fígado que jazem nos canteiros

pintos em paris marcam seus passos pela bastille perto da nova ópera

alguns narizes jazem acolá de saint niklaas klerk aspirando horror e desejo

& os cus

por toda parte cus & cus baixos procuram proteção entre os carros

que quase não existem por mais que passem pela amerikalei

um prê assoa a alma um tapete cheira a curry

correria pela paulista

chuva de grãos atingem as testas & vidraças

o mundo todo se despedaça

você vira a bunda

& caga

domingo, 7 de novembro de 2010

são paulo, fim de semana de um outubro qualquer

intensa
esta cidade provoca
olhos pau barriga & garganta
a pulsarem fortemente
cinderelas descalças transitam entre o tráfego afogado
monalisas fecham a cara e se apresam entre matadores
muitas poc poc queimam a cara & fazem maldade como mineira faz doce.
também faço doce
& nariz arrebitado.
esta cidade é de uma intensidade
alugo barrigas que exibo entre barracas de flores e postos policiais.
jantamos & nem brindamos em memória de de nossas gritantes diferenças
o palhaço corta a rua
a bichinha anda prá lá e prá cá feito filhote de onça
aprender quando apresento me torna vivo e importante
também ando prá lá e prá cá feito filhote de onça que sou
também soy loco por ti.

sábado, 6 de novembro de 2010

desapego. exercício 2


se era pra ser só carne


bifão me punha.


mas quis mostrar humanidade


afinidade


respeito. todas palavras sem significado nessa selva de corpos q cultiva.


pensei em meu filho para quem o mundo é açougue.


pensei em vc para quem fiz parte de um cardápio.


pensei em todas essas que cortam o centro atras de rasgos na alma.


esses cortes secam fecham e marcam


o olvido é melhor que o cheiro que me vem à cabeça.


assim como todas as tentativas de destruição: o layout é bom mas não especial. a performance é boa mas não inesquecivel. o sorriso é largo mas não verdadeiro. o corpo é quente mas não aquece.


catei um homônimo. visitei a estrada.


o bairro.


a capela


que poderiam chamar qualquer coisa menos seu nome.


agora ele repousa num saco de amarguras.


vez ou outra abro a boca para escapar os demônios


& rio do jeito que usa talheres